Remédio tarja preta: tem que tomar por toda a vida?


Uma grande parcela da população no Brasil usa medicações de tarja preta, prescrita por médicos ou por conta própria. Muitas pessoas procuram um médico com queixa de insônia ou nervosismo e saem do consultório com a famosa receitinha azul na mão. Outras pessoas acabam usando essas medicações através de amigos e parentes que já fazem uso e querem dar uma “ajudinha”.  No começo, a pessoa pode até sentir alívio dos sintomas, mas depois se depara com uma grande dificuldade: não consegue mais parar de tomar a medicação. Mas por que isso acontece?

Essas medicações são os chamados benzodiazepínicos e existem vários tipos como o clonazepam (rivotril, clopan), o bromazepam (lexotam, somalium), diazepam (dienpax, valium), entre outros. Eles têm efeitos que são interessantes do ponto de vista terapêutico e são usados como coadjuvantes no tratamento de quadros depressivos, ansiosos, na insônia, entre outros. Eles funcionam como sedativos, hipnóticos, ansiolíticos, relaxantes musculares e anticonvulsivantes.  Porém, eles também trazem efeitos colaterais como sonolência excessiva, piora da coordenação motora, piora da memória, tontura, zumbidos, riscos de quedas e fraturas e dependência da medicação.]

A dependência de uma substância se caracteriza pela dificuldade em reduzir doses ou interromper o uso da dita substância, em virtude de sintomas de abstinência. No caso dos benzodiazepínicos a síndrome de abstinência é caracterizada por sintomas físicos (tremores, sudorese, palpitações, letargia, náuseas, vômitos, anorexia, sintomas gripais, cefaléia e dores musculares), sintomas psíquicos (insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, inquietação, agitação, pesadelos, disforia, prejuízo da memória, despersonalização/desrealização) e ainda sintomas graves como convulsões e confusão mental. A interrupção brusca destas substâncias também pode trazer a tona os sintomas da doença que estavam controlados.

O tratamento da dependência de benzodiazepínicos é semelhante a outras dependências, deve ser orientado por um médico e acompanhado também por medidas não farmacológicas, como a psicoterapia e grupos de auto-ajuda. Dessa forma, o paciente conseguirá retira a medicação e ter um suporte emocional em longo prazo que o possibilite passar por momentos de instabilidade sem necessariamente recorrer à medicação.

Olga Leocadia
Psiquiatra
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Fonte: Projeto Diretrizes – Abuso e Dependência de Benzodiazepínicos
Associação Brasileira de Psiquiatria